180 dias de solidão na segurança pública brasileira

O presidente Jair Bolsonaro durante a 27ª edição da Marcha para Jesus, em São Paulo.

Por Carlos Guimar*

180 dias de apreensão. Poderia ser nome de filme, mas é o tempo que já correu
contra a efetividade dos rumos da segurança pública no Brasil. A expectativa
era  grande  a pensar que a temática de segurança foi a plataforma
prioritária da campanha eleitoral do atual governo federal. O agravante
torna-se maior quando parte do staff deste governo vem das fileiras militares.
É inacreditável todo este marasmo.

Só nos restar criar a famosa dualidade entre expectativa versus a realidade.
Sei que não é tarefa fácil. São inúmeras as ações para colocar ordem na
casa. Implantar uma nova cultura, trazer uma base sólida para aplicabilidade
duradoura, tirar atrasos de outros governos, desmistificar assuntos enraizados
(talvez desde a colonização), retrabalhar em temas presos a leis já aprovadas
e atuar fora de uma base old school política ainda remanescente.

Entretanto, parece que não há uma clara ideia dos dirigentes deste governo de
que tudo o  que  atenta contra a vida da população é de caráter urgente.
Ações direcionadas ao ver e agir não vieram ainda, pois os fatos do cotidiano
refletem a nossa sensação de insegurança.

Por vezes, o pouco que ouvimos, nos remete a um passado recente dos discursos de
campanha. O tempo hábil é gasto para desmistificar fake news ou travar (quando
não incendiar) guerras ideológicas. Enquanto isso, a violência cresce,
amedronta as cidades e estampam as páginas dos jornais todos os dias.

Nós brasileiros sentimos falta de comunicação direta e de fácil entendimento
como resoluções primárias para o problema da segurança. Soa estranho quando
autoridades dão palpite nas questões de segurança de outros países. É
preciso olhar para dentro.  Só  podemos  ajudar  aos  demais  quando
estivermos fortes com a casa faxinada.

Precisamos de ações práticas e com resultados visíveis. O problema já é
conhecido e, dificilmente, será erradicado de imediato, mas é preciso
começar. O que ainda se espera de forma imediata são ações de choque para
controle nas fronteiras por terra, água e ar; bloqueio nos presídios e se ter
o ciclo completo da polícia.

Quebramos a logística do crime não deixando passar pelas fronteiras armas
(força e fonte de renda) e drogas (fonte de renda); retiramos os canais de
comunicação e, por consequência, desnorteamos os sentidos dos porta vozes do
crime (cabeças pensantes) disciplinando presídios; fortalecemos as linhas
táticas da segurança pública (inteligência e  ataques  coordenados), vamos
ao menos tirar de forma imediata os excessos e desta maneira abrir caminho para
junto com projetos e leis coerentes – leia-se modernas e justas – alcançar o
que precisamos para os próximos 180 dias não serem tão catastróficos quando
os que se findam.

*Carlos Guimar é especialista em segurança pública e privada e diretor
associado de segurança empresarial na ICTS Security, consultoria e
gerenciamento de operações em segurança, de origem israelense.

Sobre a ICTS Security (www.ictssecurity.com.br)
A  ICTS  Security é  uma  empresa  de  consultoria  e  gerenciamento de
operações em segurança, de origem israelense. Proporciona tranquilidade
pessoal e aos negócios de seus clientes ao oferecer segurança e proteção com
agilidade e independência, fundamentada em visão e conhecimento abrangente de
riscos. Executa soluções pragmáticas, dinâmicas e integradas com uso de
metodologia pioneira e tecnologias atuais.
Presente no Brasil desde 1995, atende a clientes com os mais variados desafios
em questões de segurança, bem como organizações com logísticas complexas e
altamente expostas a riscos, a partir de escritórios em São Paulo e Rio de
Janeiro.
Sua metodologia de resultados comprovados e sua equipe de profissionais
altamente qualificados lhe confere o reconhecimento como referência no
mercado.  A ICTS Security é uma empresa ICTS.

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