Crivella se converteu de pastor lulista a guerreiro bolsonarista

Página da HQ "Vingadores: A Cruzada das Crianças", que o prefeito Marcelo Crivella afirmou ser "conteúdo sexual para menores"

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), já foi lulista de carteirinha e dizia que a ex-presidente Dilma Rousseff era um “poço de ternura”. Como os Crivella se converteu de pastor lulista a guerreiro bolsonarista

tempos mudaram, converteu-se em um bolsonarista engajado, de linguagem
aguerrida e rotulador de notícias incômodas como “fake news”.
De um extremo ao outro do quadro político, o papel que Crivella mais gosta para
si é o de vítima. Em reuniões com sua equipe de comunicação, por mais de
uma vez esbravejou contra órgãos de imprensa que supostamente o
perseguem.

Nesta semana, após reportagem de O Globo sobre investigação que apura
corrupção e tráfico de influência na Prefeitura do Rio, proibiu que jornalistas do
grupo participassem de entrevista em que anunciou as atrações do Réveillon
carioca.

Crivella, com a experiência de bispo da Igreja Universal, fala de maneira bem
articulada e no tom próprio para a televisão e o rádio. Prefere dar entrevistas
adocicadas para a Record _ controlada pela igreja do seu tio, Edir Macedo _ ou
para apresentadores amigos _ em recente entrevista para Ratinho, no SBT,
disse: “Somos amigos desde o tempo da Record, porra!”.

O uso da interjeição deselegante não parece ter sido um escorregão, diga-se.
Crivella busca calculadamente vincular-se de alguma maneira ao eleitor
bolsonarista, que se ouriça mais com uniformes camuflados do que com as
vestes de pastor.

O prefeito acredita tanto em seu poder de comunicação direta que escorrega
na arrogância. Quando a ciclovia Tim Maia, que liga o Leblon a São Conrado,
enfrentou desmoronamentos pela quarta vez, fez graça: “A ciclovia cai tanto que
vou batizá-la de Vasco da Gama”. Teve de pedir desculpas aos vascaínos e aos
familiares de dois mortos em um dos desmoronamentos.
A oratória de Crivella, em geral, é marcada por pontos repetitivos. Quem o
critica o faz por ser “inimigo jurado dos evangélicos”. Os adversários em geral
são contra a família, a favor do aborto, do incesto, do adultério.

Em três anos de mandato, o prefeito do Rio protagonizou episódios de
favorecimento à sua turma _ “fala com a Márcia” era a senha para furar a fila nos
hospitais municipais _, de estímulo a censura _ quis proibir a venda de
quadrinhos em que apareciam homossexuais _, e enfrentou uma enxurrada de
críticas por desmazelos da cidade _ aumentou o número de buracos nas pistas,
de bueiros entupidos e, consequentemente, de inundações no Rio.
Na conversa amiga com Ratinho neste mês, Crivella anunciou que tentará se
reeleger prefeito. Instado a revelar seu maior feito administrativo, disse: “Eu não
deixei o Rio quebrar. Sou o maior insatisfeito com meu governo no Rio porque
tive de administrar crise o tempo todo”. Com rombo de R$ 3 bilhões em suas
contas, arrecadação em queda e sem capacidade de investimento, o município
do Rio de Janeiro está entre os piores avaliados em ranking de gestão fiscal das
capitais brasileiras, ocupando a penúltima posição, de acordo com índice
recentemente divulgado.

O principal feito que Crivella pretende levar para debate parece frágil para
sustentar uma candidatura viável. A dez meses do pleito, a disputa pela
prefeitura do Rio desenha-se como difícil. À direita e à esquerda, o ex-prefeito
Eduardo Paes (DEM) e o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) se
movimentam como candidatos fortes. A conversão de pastor lulista a guerreiro
bolsonarista é a estratégia que restou ao prefeito para tentar salvar seu
pescoço.

UOL Notícias

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