Dallagnol tentou prejudicar posse de senador do PT e beneficiar Bolsonaro no 2º turno

Brasília - Ex-ministro Jaques Wagne durante pronunciamento da ex-presidenta Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada (José Cruz/Agência Brasil)

Mesmo após a prisão de Lula, o procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol continuou atuando politicamente contra o PT e tentou até barrar a posse de um senador eleito pelo PT. “Temos de ter um caso forte”, disse Dallagnol em diálogo. Veja abaixo.

Em diálogos com colegas da Lava Jato logo após o primeiro turno das eleições, em outubro de 2018, Dallagnol diz que era preciso acelerar ações contra o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), que tinha acabado de se eleger senador e em alguns meses tomaria posse.

Os diálogos estão em arquivo obtidos por Glenn Greenwald do site The Intercept Brasil e revelados por Mônica Bérgamo da Folha de S. Paulo.

A ação contra o PT era também uma forma de favorecer o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL), que disputava o segundo turno contra Fernando Haddad (PT). Sergio Moro já era cotado para virar ministro.

Veja o diálogo:

Deltan pergunta: “Caros, Jaques Wagner evoluiu? É agora ou nunca… Temos alguma chance?”.

Athayde (provavelmente Athayde Ribeiro Costa) responde: “As primeiras quebras em face dele não foram deferidas”. Mas novos fatos surgiram e eles iriam “pedir reconsideração”.

Deltan: “Isso é urgentíssimo. Tipo agora ou nunca kkkkk”.

Athayde: “isso não impactará o foro”.

Deltan responde: “Não impactará, mas só podemos fazer BAs [operações de busca e apreensão] nele antes [da posse]”.

Procuradora entra na conversa e pondera seria uma segunda ação contra Wagner: “Nem sei se vale outra”.

Deltan responde: “Acho que se tivermos coisa pra denúncia, vale outra BA até, por questão simbólica”. E completa: “Mas temos que ter um caso forte”.

Athayde informa que seria “mais fácil” Wagner aparecer “forte” em outro caso, e Deltan finaliza: “Isso seria bom demais”.

A assessoria da Lava Jato nega a veracidade das mensagens.

Fonte: Carta Campinas e The Intercept

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*