Em São Paulo, a qualidade da democracia tem nota 5,67, segundo o IDL

Essa é a qualidade dos políticos de São Paulo: péssima

O Índice de Democracia Local (IDL) de São Paulo, realizado pelo Instituto
Sivis, mostra como o cidadão paulistano lida com questões relacionadas a
participação política, confiabilidade, voto, entre outras

No dia 05 de dezembro, foi lançado o Índice de Democracia Local (IDL) de
São Paulo, pesquisa do Instituto Sivis que traçou um panorama sobre a
democracia e a cultura democrática na maior metrópole do Brasil. Trata-se
de uma ferramenta inédita na medição da qualidade da democracia em nível
local, organizada a partir de cinco dimensões: Processo Eleitoral;
Liberdades e Direitos; Funcionamento do Governo Local; Participação
Política; e Cultura Democrática.

Por meio de entrevistas domiciliares, foram coletados dados de uma amostra
de 2.417 pessoas da população eleitoral de São Paulo, com
representatividade para as oito regiões administrativas da capital, em uma
pesquisa estratificada por sexo, faixa etária, escolaridade e status
ocupacional.

Ao todo, foram realizadas pelo menos 300 entrevistas em cada uma das oito
regiões administrativas da cidade (Centro, Leste-1, Leste-2, Norte-1,
Norte-2, Oeste, Sul-1 e Sul-2). Os questionários continham 34 perguntas
sobre confiança interpessoal e institucional, tolerância política e
disposição ao diálogo, entre outras. Além disso, o Instituto Sivis também
realizou outra pesquisa com especialistas de relevante produção intelectual
e reconhecimento em suas áreas, como Direito, Sociologia, Ciência Política
e segmentos afins, com 62 perguntas avaliativas sobre os aspectos da
democracia na cidade, como processo eleitoral, liberdades e direitos, e
funcionamento do governo local.

Sobre os resultados

Em uma escala de 0 a 10 quanto à qualidade da democracia, a nota de São
Paulo no IDL foi 5,67. Quanto às cinco dimensões analisadas na pesquisa, a
maior pontuação foi Processo Eleitoral (7,91), seguida por Liberdades e
Direitos (6,80) e Funcionamento do Governo Local (5,78). Tiveram nota
abaixo de 5 as dimensões Cultura Democrática (4,55) e Participação Política
(4,14).

Uma das principais reflexões a ser traçadas a partir dos resultados do IDL
é o caráter sistêmico dos elementos da democracia em São Paulo, que
perpassam, em maior ou menor grau, a dimensão da cultura democrática. “Se,
unindo definições de Michael Coppedge (2012) e Guy Rocher (1992),
argumentamos que cultura consiste nas orientações que estruturam as formas
de sentir, pensar e agir das pessoas, vemos como o IDL demonstra a
insuficiência de nossa cultura frente aos desafios da democracia”, consta
no relatório.

Participação política

Um dado que chamou a atenção foi quanto ao interesse do paulistano pela
política, revelando que 23,7% nunca se informam sobre os acontecimentos
políticos do Brasil e da cidade. O indicador vai além: desta parcela da
população que afirmou nunca se informar sobre o tema, mais de 90% tendem a
nunca participar institucionalmente, demonstrativamente ou de atividades
partidárias.

Em relação aos paulistanos que se mantém informados sobre política, menos
da metade dos entrevistados se informa frequentemente ou sempre sobre o
tema (37%), enquanto 63% deles afirmam se informar às vezes, raramente ou
nunca. No entanto, o IDL constatou que cidadãos que buscam fontes plurais
de informação tendem a cultivar maior apreço pela democracia: 58,4% dos
entrevistados que defendem a democracia como melhor forma de governo dizem
se informar por fontes diversas, com várias posições políticas.

Nível de confiança

A desconfiança é generalizada tanto entre instituições quanto entre
pessoas. Pelo menos 3 em cada 4 paulistanos não confiam em instituições
fundamentais da democracia representativa, como o Congresso, a Prefeitura
ou os partidos políticos. Já a confiança interpessoal é restrita ao círculo
familiar, pois apenas 3,62% dos entrevistados dizem confiar nos
desconhecidos da cidade.

Processo eleitoral

Durante a pesquisa, foi levantada a questão da obrigatoriedade ou não do
voto, revelando uma substancial queda na participação do paulistano nas
urnas caso o sufrágio se tornasse facultativo: 37,9% dos entrevistados
afirmaram que não votariam.

O panorama se acentua quando são colocadas questões econômicas dos
entrevistados. 53,3% dos que ganham até um salário mínimo não votariam caso
o sufrágio fosse opcional, enquanto 55,9% dos entrevistados com ensino
superior completo afirmam que votariam com certeza, mesmo que não fossem
obrigados.

O IDL constata que “a baixa disposição a votar de boa parte dos paulistanos
pode ser vista como expressão das dificuldades em universalizar a cultura
democrática no brasil, ainda mais quando consideramos que a participação
política foi a dimensão com menor nota do Índice (4,14).”

Em busca de um país mais democrático

O Instituto Sivis é uma organização apartidária, sem fins lucrativos,
fundada em 2011, que trabalha para encontrar os motivos por detrás dos
desafios relacionados à democracia brasileira e para mobilizar a sociedade,
visando à resolução desses impasses. O Instituto trabalha para contribuir,
com a sua expertise, dados, ferramentas e articulação social, para um
Brasil mais colaborativo, honesto e democrático.

Em todas as suas atividades, o ponto central está no
aprimoramento do sistema cultural brasileiro, para que ele permita,
sustente e aprimore a colaboração, a honestidade e a orientação à
democracia. Para atingir esse patamar, o Sivis realiza, em conjunto com
parceiros locais e globais, um diagnóstico sistêmico de cultura democrática
e a mobilização de pessoas e instituições-chave para agir e encontrar
caminhos para fortalecer a cultura democrática brasileira e gerar impacto
global.

Relatório completo

Para ter acesso ao relatório completo e aos infográficos basta
acessar: http://sivis.org.br/idlsp/

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