Espetáculo ‘Cárcere’ tem apresentação nessa terça e quarta, no Centro Cultural Museu da Justiça

Um pianista privado de sua liberdade e de seu piano tenta negociar a entrada do instrumento na cadeira para ensinar outros presos a tocá-lo. Líderes de facções criminosas acham que estão sendo dedurados à direção da unidade pelo pianista e acabam jurando-o de morte. Quando uma rebelião está prestes a estourar, o pianista fica certo de que será feito refém e começa a escrever um diário. Esse é o tema central da peça Cárcere, que será encenada nos dias 16 e 17 de julho no Centro Cultural Museu da Justiça. O espetáculo é uma reflexão sobre a liberdade através dos olhos do pianista. Uma semana na vida de um artista preso que será refém numa rebelião iminente. Ele vive em ritmo de contagem regressiva e coloca no diário suas expectativas, impressões, lembranças, reflexões e sensações. A peça CÁRCERE traz à cena reflexões sobre o funcionamento do sistema carcerário brasileiro e propõe um mergulho nas diversas perspectivas de ser e estar preso ou livre.

Realizada pelo Núcleo Vinicius Piedade & CIA. em parceria com o ex-professor do sistema prisional, historiador e advogado Saulo Ribeiro, a peça foi apresentada em Presídios Seguros, de Segurança Média, Femininos, e de Reabilitação, além de importantes festivais e centros culturais, como o Festival Internacional de Macau (China) e CCBB (Rio de Janeiro). Vinicius Piedade tem sido dos artistas brasileiros que mais circulam com obras teatrais pelo mundo, tendo apresentado espetáculos solo em dez países de cinco continentes nos últimos cinco anos. Neste mês de julho, o APJ-Rio recebe o espetáculo na Sala Multiuso.

Resumo

A narrativa de “Cárcere” é um convite para o público refletir a respeito das liberdades e prisões que nos rodeiam. A proposta estética da peça percorre diferentes camadas e linguagens, desde o humor corrosivo de um homem em estado de sítio a momentos essencialmente corporais. “Eu preferia tocar piano e dizer o que tenho para dizer em ritmo e disritmia, mas como aqui não tem piano eu escrevo, mesmo sem saber fazer poesia”. Por meio de uma linguagem acessível e visceral, a peça leva à cena camadas de profundidade que visam proporcionar ao público um mergulho em diferentes perspectivas de ser e estar preso. Ou livre.

Diante da dificuldade de se sustentar com a música, um pianista aceita o convite de um amigo que lhe oferece um bico de venda de drogas, aproveitando o fato de ele ter contato com tanta gente nos tantos bares onde toca o piano. Na prisão, ele tenta negociar com a direção do presídio a entrada do seu instrumento para ensinar outros presos a tocar, quando líderes de facções criminosas acham que essas conversas são caguetagem, o jurando de morte.

A direção da cadeia, em uma tentativa precária de protegê-lo, o coloca na Ala dos Seguros, junto a outros presos que correm risco de vida. O problema é que quando há rebelião na cadeia, quem é candidato natural a refém é justamente quem está́ nessa ala.

Quando começa a surgir um boato de que uma rebelião está na iminência de estourar, ele começa a escrever um diário. Aqui começa a peça. O pianista, apelidado Ovo, está em uma semana decisiva de sua vida, entre a segunda-feira, quando descobre que será refém, e domingo, quando estoura a rebelião. Trata-se, então, da teatralização do diário escrito por esse preso na semana em que vive uma espécie de contagem regressiva. Suas reflexões, lembranças e razões para, como escreve, continuar se equilibrando na linha tênue entre persistir e desistir. “Na beira do vulcão prestes a entrar em erupção, na linha do trem que está vindo, na mira da bala com a arma já́ engatilhada”, como expressa o ator em solo no palco, em vibrante contato direto e indireto com o público.

 

SERVIÇO:

Peça Cárcere
Dias/hora:
 16 e 17 de julho, às 19h (duração 1h15m)

Local: Antigo Palácio da Justiça – APJ-Rio, Sala Multiuso

Rua Dom Manuel 29 – Centro, Rio de Janeiro – RJ

Reservas: 55 21 3133-3368 / 3133-3366

Entrada Franca/Espetáculo não recomendado a menores de 14 anos

Magistrados, servidores e colaboradores podem reservar lugares pelos ramais 3366 e 3368. As reservas serão válidas até 15 minutos antes do início do espetáculo, após o horário os assentos serão liberados para o público.

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