Seis meses de governo Bolsonaro: um mandato de incertezas e terror

Brazilian President Jair Bolsonaro delivers a speech during the appointment ceremony of the new heads of public banks, at Planalto Palace in Brasilia on January 7, 2019. - Brazil's Finance Minister Paulo Guedes appionted the new presidents of the country's public banks (Photo by EVARISTO SA / AFP) ORG XMIT: ESA037

Os seis meses do governo do presidente Jair Messias Bolsonaro foram fortemente marcados por protestos em massa, denúncias de corrupção envolvendo sua família, participação em máfias, tráfico internacional de drogas, envolvimento com facções criminosas, troca de ministros, derrotas no congresso e inúmeras gafes nacionais, internacionais e principalmente em redes sociais. Realidade que nos leva a questionar se Bolsonaro irá concluir seu mandato de quatro anos. Com a pior desaprovação do povo brasileiro no primeiro semestre de governo – 4,5 a cada 10 eleitores do Bolsonaro se arrependem do voto e 42% dos brasileiros desaprovam seu governo – segundo pesquisa Data Folha 06/2019, a única certeza que temos é que esse é um governo feito no improviso e sustentado pelas redes sociais, porém está cada vez mais desconectado da realidade no país.

A articulação política (ou a falta dela), somada a pressão nas ruas, a reforma da previdência, a participação de militares e religiosos no governo nos levaram a desastrosos indicies na economia, retrocessos na educação e direitos socais e desprestigio internacional. Pautado exclusivamente por uma agenda conservadora o presidente da república extinguiu os mistérios do Trabalho, Cultura, Esporte e Integração Racial, enfraqueceu (numa tentativa de extinção) o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) – principal responsável pelo combate a fome no Brasil e também o Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte além de ter decretado o fim de centenas de conselhos e colegiados do Executivo, ameaçando escancaradamente a democracia participativa no Brasil.

Paralisou o processo de demarcação das terras indígenas e quilombolas, destituiu o departamento de HIV/Aids, reduziu o programa mais médicos com a expulsão dos médicos cubanos, anunciou que não fará concursos públicos levando a precarização dos serviços do Estado e por consequência anunciou o abandono da população mais pobre que depende dos serviços públicos. Atacou a soberania nacional ao oferecer doze aeroportos (incluindo a base de Alcântara – que foi entregue aos Estados Unidos e não precisarão prestar contas sobre a exploração local), quatro portos também foram vendidos, sem contar a venda das refinarias que comprometem a autonomia e autossuficiência dos pais em relação ao petróleo e ao pre-sal. E ainda liberou mais de duas centenas de agrotóxicos e pretende rever as áreas de proteção Ambiental.

Em uma realidade com 14 milhões de desempregados, a explosão da dívida pública e a queda dos investimentos, Bolsonaro insiste na reforma da previdência como única solução para sanar os problemas econômicos do país. Ignorando os trabalhadores rurais, criando um limite para invalidez e pensões e retirando benefícios dos mais pobres.O corte de verba na educação traz efeitos imediatos na formação de jovens e também nas pesquisas e desenvolvimento de tecnologias, na segurança pública o presidente viabiliza seu ódio aos mais vulneráveis por meio de decreto de liberação das armas e munições e descriminalização da tortura.

Em um discurso antipolítico do presidente é a sua única arma para fugir do caos de seu governo, mas ameaças ao Estado Democrático de Direito não serão toleradas, a oposição não se calará diante do desgoverno. É preciso resistir! Trabalhadores, estudantes e aposentados estão juntos para defesa nação!

Fonte: Raíssa Melo- Agência de Notícias das Favelas (ANF)

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