Um baluarte do samba na Cidade do Rock

Numa desses dias em que o Rio convida a olhar para linha do horizonte e agradecer aos deuses a dádiva de nascer na cidade magistralmente maravilhosa. O dia foi 25 de Julho do ano de 1924. O mundo ainda se recuperava da primeira guerra mundial, mas na Praça XV, berço do samba, nasceu Nelson Mattos.

Criado no Morro do Salgueiro, aos 12 anos mudou-se com sua família para o Morro da Mangueira, o jovem negro, como muitos dos seus amigos de infância, teria tudo para ver o mundo com uma visão triste e sem esperança, mas ele não cedeu ao desencantamento e mudou o rumo da prosa e do verso e se transformou num dos baluartes do samba.

A vida que se confunde com a arte de compor sambas belos como “agoniza mas não morre” (1979) fez com que Nelson Mattos se transforma-se no ícone Nelson Sargento – patente que obteve quando serviu ao Exército Brasileiro – o músico, pesquisador e escritor já teve como parceiros musicais Cartola, Carlos Cachaça, Darcy da Mangueira, entre outros e também integrou o grupo A Voz do Morro, ao lado de Paulinho da Viola e Zé Kéti.

Eis que o jovem Rock In Rio abriu espaço para quase centenário sambista e no dia em que o Espaço Favela teve a magistral apresentação do show A Festa da Raça, composto por sambistas conhecidos no cenário das rodas de samba do Rio de Janeiro, como Pipa Vieira (Samba da Glória) e Nego Álvaro (Samba do Trabalhador) a humildade dos talentosos músicos deu espaço pra quem sempre exaltou a favela, o samba e a raça negra. Nada mais justo e nada mais sublime do que poder assistir o menestrel cantando seus sambas e nos brindando com a força da história de um Sargento que se negou a ser Capitão do Mato.

De todos as apresentações do Espaço Favela, se não de todo o Rock In Rio, a que melhor sintetiza a história da cidade do Rio de Janeiro foi a presença da figura paterna e serena do mestre Nélson Sargento.

Não só ganhou o público presente, ganhou também o Rock ao incorporar a batida dos tambores no repertório do já diverso festival de música. Ganhamos todos nós que sabemos que a voz do samba é a voz do morro. E morro para nós é o território da luta do povo negro que se nega a morrer sem voz, sem vez e com medo.

Obrigado Nélson Sargento pela luz que brilha mais que a iluminação do Palco Mundo, obrigado por irradiar uma luz capaz de ser o clarão da nossa estrada e o incandear de nossa jornada. A Cidade do Rock agradece ao baluarte do samba pela magia de fazer parte da festa da raça e da festa de um dos maiores festivais de música do mundo.

 

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