Um Rio de descasos

De onde vem tanto ódio e desprezo ao povo mais humilde e desprivilegiado? Como temos elegido representantes tão despreparados, tão ignorantes, tão arrogantes como o de agora? Onde foi que erramos? Quando vamos conseguir entrar no coração e mentes dessas pessoas que votam em quem irá levantar o chicote contra elas mesmas. A situação do Rio de Janeiro é o reflexo de nossa apatia, apoplexia e distanciamento. Nunca pensei que fosse dizer ou escrever isso, mas estamos vivendo um verdadeiro caos urbano. A população do Rio de Janeiro, (mais especificamente da cidade do Rio de Janeiro) sofre há quase 5 anos uma crise financeira que afetou todos os órgãos governamentais. Aparentemente, menos o setor de segurança. Desde que perdemos a exclusividade dos royalites de petróleo, a operação Lava a Jato e a decretação de falência econômica, a qualidade de vida do carioca e fluminense despencaram a níveis inaceitáveis.

Todos os dias telejornais denunciam a falência ética e econômica nos serviços públicos. Hospitais lotados, sem medicamentos, leitos, funcionários meses sem receber salários, super lotação, descaso. E isso em todos os níveis. Municipal, estadual e federal. Gente morrendo nas filas dos hospitais enquanto governantes falam em construir um autódromo.

O ensino público no Rio de Janeiro vive uma crise que só não é maior, por causa da resistência de diretores e professores empenhados em dar um mínimo de dignidade a crianças e jovens. Déficit de professores, diminuição de carga horária e de merenda, numa política vil e mesquinha de desqualificar o ensino público.

Mas um setor em especial tivemos crescimento em ações governamentais. A mortífera polícia de extermínio do povo preto e favelado. Quantas chacinas promovidas pelo governo do Sr. Wilson Witzel ocorreram só nos primeiros seis meses do ano? Como esquecer os 80 tiros desferidos contra o músico Evaldo Rosa e o catador de material reciclável, Luciano Macedo, cujo os responsáveis aguardam julgamento em liberdade?

E como se não fosse suficiente ter um prefeito fanático religioso que em 3 anos de governo não implementou nenhum projeto ou melhoria visível na cidade, um governador que quando não fala em “matar bandidos”, se preocupa em montar aeroporto em Angra dos Reis e viajar pelo exterior, somos governados por um presidente que se orgulha de ter ideais e falas fascistas, que vai aprovar uma “reforma” da previdência, que renega a fome de milhões de brasileiros, que insiste em dizer que não existe racismo, homofobia e misoginia no Brasil, a favor da pena de morte e inimigo das comunidades quilombolas e das nações indígenas. Que enquanto ataca políticas sociais,  diz pra todo mundo  que vai dar filé mignon para seus filhos e no dia seguinte, diz que a fome no Brasil é uma grande mentira.

E para provar de vez que a mamata acabou, vai nomear seu “garoto” (Como gosta de se referir a ele) embaixador dos Estados Unidos da América.

Precisamos urgentemente falar de política com o povo das periferias. Mas enquanto isso não acontece, precisamos tomar as ruas e resistir a esse horror que vivemos!

 

Por Júlio Barroso/ANF

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